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Revista
06/11/2009
Factoring: Da Europa para o Mundo
O factoring no mundo movimenta hoje cerca de 1, 3 trilhão de euros, do qual 61% se concentra na Comunidade Europeia. A atividade assume em todos os continentes um papel importante, alavancado principalmente pelos países asiáticos, com destaque a China, que é o mercado que mais cresce no momento. O total de recursos que gira no meio já demonstra a importância deste segmento no desenvolvimento da economia de muitos países, dando condições para que empresas, principalmente de pequeno e médio portes, possam gerar empregos e produzir riquezas.

O factoring tornou-se ainda um importante instrumento financeiro disponível para empresas que podem compensar a falta de crédito tradicional, principalmente porque o perfil de risco menor que o distingue pelas características intrínsecas da operação, liquidada pela experiência dos operadores na avaliação de empréstimos e negócios.

Com a escassez do crédito nas instituições bancárias depois que estourou a crise de setembro de 2008, muitas empresas só conseguiram sobreviver graças às factorings, que, além da compra de recebíveis, desempenham a importante função na administração de contas a receber e a pagar e na análise mercadológica, na escolha de clientes, evitando que a empresa fomentada corresse maiores riscos em seus negócios do que poderia suportar, sem falar também na recuperação da organização. “Pode-se dizer, inclusive, que muitas empresas de pequeno e médio portes continuam ativas no mercado graças aos serviços oferecidos por esse setor”, diz o gerente de Alianças & Parcerias da Equifax, José Wagner Simpioni.

Como destaca o executivo da Assifact (Associação das Empresas de Factoring da Itália), Alessando Carreta, o setor também se tornou um importante instrumento a empresas que enfrentam sérios problemas de liquidez. “O uso do factoring, neste contexto, pode trazer benefícios tanto para o cedente, sincronizando entradas e saídas, quanto para o devedor, ao conceder-lhe uma prorrogação no prazo de pagamento. Em relação aos créditos da administração pública, o fomento comercial desempenha um papel importante na gestão de pagamentos fora de prazo por parte do governo, assumindo o risco de liquidez devido ao atraso do recebimento, beneficiando o cedente”, explica ele.

Em 2008, o mercado mundial de factoring, mostrou-se substancialmente estável (cresceu 2% em relação a 2007) de acordo com os números da Factors Chain International. Os principais mercados, Inglaterra, França e Itália, no passado, observaram um aumento no volume de seus negócios: a Inglaterra, ante comparações estatísticas internacionais, aparece este ano fortemente prejudicada pelo desempenho da libra esterlina frente ao euro; no âmbito interno registra um aumento da atividade em 9%. No caso da França, que junto com a Itália segue o Reino Unido nas primeiras posições do mercado mundial e europeu em 2008 registrou uma alta de 14%. “Outros mercados, incluindo, por exemplo, Espanha e, claro, o Brasil, têm um elevado potencial de desenvolvimento e podem contribuir para o crescimento do mercado global”, destaca Carreta.

‘É interessante observar o comportamento do mercado apresentado pela FCI, que mostra que os países asiáticos têm crescido acima da média do mercado, impulsionado basicamente pela economia chinesa e que a Europa ainda é o principal mercado de fomento mercantil do mundo, com mais da metade de todo o volume global girado”, diz Siampini.

Na Itália, depois de ter apresentado excelentes resultados em 2008, o mercado, nos primeiros seis meses de 2009, mostrou um crescimento dos recebíveis de 5,8% e adiantamentos concedidos em 11,3%. No mesmo período do ano anterior, o volume de negócios teve uma contração de menos 5,4%. “Em um momento muito difícil para a economia real, que também continua sob ameaça de escassez de recursos financeiros, o factoring consegue manter a continuidade do apoio às empresas, como evidenciado pela taxa de crescimento das das compras de recebíveis, aponta Carreta.

Já na Espanha, nos últimos dez anos e até o final do ano passado, o factoring desenvolveu-se num contínuo crescente com taxas médias de 20 a 25%. Como destaca o ex-presidente da AEF (Associação Espanhola de Factoring), Elias Soler, o auge do setor começou nos anos 90, até atingir em 2008 um volume de transferência de valores de 100 bilhões de euros. “Na Europa, e em alguns países mais do que em outros, o factoring é uma fórmula financeira que já vem sido usada há algum tempo.”

Comparativamente, aqui no Brasil, apesar de relativamente novo, o mercado de factoring já tem forte participação na vida econômica e social do país, fomentando o setor produtivo de pequenas e médias empresas. As empresas de factoring complementam as atividades bancárias, visto que normalmente as pequenas empresas sofrem com a restrição de crédito e com as garantias exageradas, além da burocracia e da cobrança de taxas adicionais exigidas no processo pelos bancos.

Um desconhecido ainda

Na Itália, apesar do factoring estar presente há mais de 40 anos, ainda é elevada a percentagem de empresas que não conhece suficientemente as características do instrumento. Carreta revela que um estudo recente sobre a demanda do factoring realizado pela SDA Bocconi (uma das mais renomadas universidades de negócios da Europa) mostra que as empresas que conhecem ou usam pouco (e mal) o factoring, são frequentemente vítimas de conceitos ‘lugar-comum’ sobre o assunto, expressam julgamentos sumários e raramente exploram as oportunidades que a modalidade pode oferecer. Ao invés disso, as que têm uma experiência mais sólida e aquelas que não fazem uso ocasional, apreciam as vantagens e as especificidades, fazendo uso correto, que também é evidente em conceitos de conveniência metodologicamente mais corretos, e substancialmente mais favoráveis.

No Brasil, Simpioni acredita que reverter essa desconfiança talvez seja um dos principais desafios do setor. “Dentro da nossa atividade de prover informações para tomada de decisão na concessão de crédito, muitas vezes, nos deparamos com decisões tomadas de maneira equivocada simplesmente por constar uma passagem de um determinado CNPJ em uma empresa de fomento mercantil. Infelizmente, parte do mercado ainda vê com desconfiança empresas que buscam capital em empresas de factoring.”

Simpioni defende que uma campanha esclarecendo o papel social e econômico que as factoring desempenham ajudaria muito. Informando que pequenas e médias empresas normalmente se utilizam desses serviços porque encontram nelas uma parceria, com um serviço desburocratizado beneficiando-se de orientações na escolha de seus sacados, estruturação do fluxo financeiro de contas a receber e a pagar, consultoria de gestão empresarial, bem como aquisição de seus recebíveis, oriundos de vendas efetuadas a prazo.

Soler comenta que apesar de seu conhecimento limitado sobre a atividade no Brasil, ela é essencialmente diferente da que vigora na Europa. “Aqui, é um produto destinado principalmente a empresas com vendas de montante incerto. O que vi no Brasil, foi um produto muito específico para o financiamento de vendas a varejo, segmento que aqui na Espanha corresponderia ao âmbito do crédito para consumo, embora já estivesse começando a se introduzir o foco ao setor empresarial também no Brasil.”

Para Carreta, o mercado de factoring brasileiro é definitivamente ‘um mercado que fermenta’, com grandes perspectivas de desenvolvimento, devido às características da economia brasileira. “O produto oferecido possui peculiaridades que refletem as necessidades das empresas brasileiras que se voltam ao factoring. A estrutura da oferta está muito fragmentada: as empresas possuem interface com um grande número de operadores.”

Sendo um produto essencialmente financeiro, continua a sendo um dos pilares para o financiamento de vendas das empresas a determinados setores. É um produto da maior importância na estrutura de financiamento das organizações, em momentos como o atual, no qual o risco é um dos elementos-chave pelo qual são regidas as instituições financeiras para a concessão de financiamento às empresas. Este produto proporciona maior segurança para as instituições financeiras devido ao seu sistema operativo, como mostra seu baixo nível de inadimplência, em comparação com outros produtos financeiros.

A importância do factoring no mundo dos negócios para Carreta, está na antecipação do crédito: é um ‘pulmão’ financeiro sobressalente para a empresa cedente. Enquanto o serviço de gestão financeira e de crédito (contabilidade, controle de prazos, recebimento, aviso de pagamento e ações de recuperação e outros), e dos benefícios relacionados com a gestão profissional de crédito, podem determinar uma economia nos custos administrativos. O factor pode também garantir o retorno dos créditos concedidos, reduzindo assim as potenciais perdas relacionadas ao não-pagamento pelo devedor. A composição dos serviços oferecidos pela factoring normalmente é personalizada e ligada com as necessidades do cliente.

Já Simpioni aponta as condições de competitividade que se abrem principalmente às pequenas e médias empresas, oferecendo de maneira desburocratizada capital para utilização na operação. Como normalmente essas empresas sofrem com a restrição de crédito cada vez mais acentuada, bem como das exigências de garantia muitas vezes exagerada e da cobrança de encargos pelas instituições bancárias, o fomento comercial passa a ter um papel de extrema importância no desenvolvimento da economia brasileira.

Fortalecimento

Um apoio importante para promover o desenvolvimento do setor são suas entidades representativas. Na Itália, por exemplo, a Assifact (Associação Italiana de Factoring), juntamente com outras entidades representativas de finanças e negócios, apresentou ao governo italiano uma série de propostas destinadas a promover liquidez nas empresas, para simplificar o pedido para a cessão de créditos em relação ao poder público e está constantemente envolvida na remoção de barreiras regulatórias que tornam difícil para as empresas italianas escolherem o factoring. Muitos associados da Assifact também se juntaram em um acordo celebrado entre o setor bancário e o da indústria, que prevê a possibilidade das empresas em pedir prorrogação do vencimento dos créditos em até 270 dias. “De qualquer modo, os resultados da pesquisa mostram que as empresas italianas veem o factoring como uma forma de financiamento complementar para os empréstimos bancários, mais do que como alternativa: o uso do factoring pelas empresas, de fato, não ocorre geralmente devido a dificuldades na ob- tenção do crédito bancário, mas à necessidade de atender às exigências de natureza heterogênea e não exclusivamente financeiras. “O factoring, além de garantir uma fonte de liquidez, é uma ferramenta profissional para gerenciar as contas a receber da empresa e proporcionar a garantia do retorno dos créditos.”

A AEF desempenha um papel fundamental desde 1988, na aproximação dos interesses das mais diversas empresas associadas a ela, representar e defender os seus interesses perante organismos públicos e privados, informando- os de todos as novidades legais que possam afetar o setor. Avaliando o crescimento da atividade no mundo inteiro que foi cerca de 15%, de acordo com dados recentes disponíveis (2007), é evidente que o aumento da economia global está muito abaixo do crescimento do factoring , o que implica em uma mudança de linhas de financiamento tradicional para esta nova forma de financiamento das empresas que contribui, além do financiamento puro, com uma série de serviços de alto valor agregado.

Para Simpioni, no Brasil, a ANFAC tem um papel importantíssimo na representação dos interesses das empresas de factorings junto aos órgãos governamentais, principalmente no que diz respeito à regulamentação do setor. Outro papel importante é quebrar o paradigma que o mercado ainda tem, de desconfiança das empresas que optam por utilizar os serviços das factorings. “Prover serviços que possam minimizar os riscos na operação, buscando parcerias com empresas que possam agregar valor aos associados é uma das missões mais importantes e que deve estar em toda pauta de discussão junto aos associados.”

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