| Uma das principais prioridades de uma empresa deve ser a implantação de uma eficiente gestão do risco de crédito porque é através dela que a organização vai
gerar valor e capital para o seu empreendimento. O presidente da Unidade de Negócios Pessoa Jurídica da Serasa, Laércio de Oliveira Pinto, enfatiza que a
essência desta gestão é antes de mais nada, ter uma completa compreensão dos riscos, e a capacidade de medi-los corretamente para que se possa fazer a
precificação de forma adequada. “Um bom gestor de crédito só assume riscos que possa administrá-los, e pelos quais pode ser adequadamente recompensado. A
gestão consciente é a capacidade de medir, de administrar e de processar”, pontua.
Para organizar a gestão de crédito, informa Laércio, as políticas de crédito devem estar alinhadas com as diretrizes estratégicas da organização. Portanto,
através do mercado que a empresa vai atuar e os riscos dispostos a assumir, serão conceituadas as políticas de crédito alinhada a essas diretrizes. Segundo o
dirigente, além dessas políticas é preciso colocar em prática, as três principais dimensões do risco do crédito, que são em primeiro lugar: o risco do
cliente - que é saber qual a capacidade de gerar caixa para pagar os compradores. “O risco intrínseco à empresa e ao consumidor”, frisa Laércio. A segunda
dimensão é o risco de operação - que possibilita estruturar a operação para que se possa fazer a medição do cliente e garantir os prazos de pagamento.
“Conhecendo o risco-cliente a empresa pode estruturar a operação para medir o risco.” A terceira e última dimensão é o risco de concentração - que
possibilita à empresa, através de sistemas, monitorar o comportamento do cliente no mercado e adotar medidas preventivas. “Para que um planejamento de risco
tenha êxito, as políticas de crédito devem estar alinhadas com a estratégia de negócios da organização.”
A política de crédito deve ser conduzida por outra premissa importante, o cenário econômico atual. Conforme Laércio, o que mais influencia o desempenho do
crédito é o entendimento das atividades econômicas. “É preciso olhar para o ambiente de acordo com o cenário.” O dirigente explica que a política de crédito
deve refletir o momento econômico. Ele cita como exemplo, que em um momento econômico com as condições mais adversas, com redução de renda e emprego, é
preciso políticas de crédito mais restritivas e prazos mais curtos. “Quanto maior a probabilidade de perda maior é o juro.” Já em um cenário de economia mais
favorável, com mais produção, renda e emprego, é possível trabalhar com prazos mais longos e taxas de juros menores. “Renda gera mais consumo e vai
realimentar a economia”.
Laércio lembra que é preciso ter todas as informações necessárias, sinalizando e monitorando para que o gestor do crédito possa tomar as medidas cabíveis e
necessárias, reduzindo e ajustando as novas realidades da economia. A decisão do crédito significa, também, definir alguns critérios, como os limites e
prazos, monitorar e gerenciar os créditos concedidos, ter uma visão integrada da carteira de clientes, além de diretrizes estratégicas e fundamentadas nas
melhores práticas do mercado. Isso significa que a estratégia de crédito precisa identificar, medir e administrar. “O crédito é o instrumento de viabilização
de negócios e agregação de valor para o cliente e para a empresa.” |