O Levantamento Estatístico do Setor do Fomento Mercantil elaborado anualmente pela ANFAC apresenta, entre outras informações, o direcionamento das operações por setor de atividade, os dados consolidados por região geográfica e o quadro comparativo da evolução patrimonial e operacional das empresas de fomento mercantil associadas à ANFAC. Numa análise preliminar dos relatórios disponíveis se pode constatar que, em 2008, as empresas de fomento associadas celebraram contratos de fomento mercantil, prestaram serviços de suporte e apoio à gestão e, atenderam a uma clientela composta de pequenas e médias empresas, que, por sua vez, são aquelas empresas que mais sofrem com a limitação de recursos para capital de giro, além de apresentarem deficiências de gestão no dia-a-dia de seus negócios.
A modalidade operacional praticada pelas empresas de fomento, consagrada no mercado brasileiro e conhecida por factoring convencional foi a mais demandada. Um portfolio de 141 mil empresasclientes de pequeno e médio portes, dos mais variados setores econômicos (vide o quadro direcionamento do factoring), beneficiaram- se dos serviços disponibilizados pelas empresas de factoring e, dessa forma, viabilizaram o seu fluxo de caixa e obtiveram a liquidez necessária para honrar e saldar os seus compromissos. Confirmando a expectativa da ANFAC, o giro de carteira das suas empresas filiadas registrou, no exercício de 2008, um estoque de ativos financeiros da ordem de R$ 80 bilhões, um acréscimo de 14,5% sobre o ano anterior.
Nos últimos anos, acompanhando a estabilidade e o crescimento econômico, atendendo à dinâmica do mercado, novos produtos e serviços vêm ganhando espaço. Em destaque, a modalidade operacional fomento à produção, na qual a empresa de factoring presta serviços de seleção e prospecção de fornecedores e, ao mesmo tempo – desde que autorizada pela empresa-cliente – disponibiliza recursos financeiros para o pagamento de aquisição de matéria-prima ou insumos de produção.
Outra modalidade operacional que conquista espaço no mercado é o serviço de gestão e acompanhamento das contas a receber e a pagar, que, resumidamente, compreende prestação de serviços de ajuste do fluxo de caixa das empresas-clientes. Do ponto de vista socioeconômico, as empresas associadas à ANFAC contribuíram para viabilizar transações econômicas industriais, comerciais e de serviços e, ainda, para sustentar 2,2 milhões de empregos diretos e indiretos de seus clientes.
Destaques
Mais uma vez a região Sudeste, que tradicionalmente concentra o maior número de empresas de fomento, e também de empresas-clientes, apresentou o maior incremento nas transações realizadas. O crescimento da carteira de direitos creditórios em 2008, foi da ordem de 17,9%. O Levantamento Estatístico da ANFAC apontou que em 2008, a região Sudeste, com destaque para o Estado de São Paulo, representou 80,2% do volume total realizado no país. A projeção dos elementos constantes deste levantamento, realizado pela ANFAC ao longo dos últimos anos, permitiu a tabulação do quadro que se segue, listando os segmentos econômicos que mais demandam os serviços oferecidos e disponibilizados pelas empresas de fomento mercantil. A região Nordeste com destaque para o Estado de Pernambuco também apresentou um forte incremento nas operações fechando o ano de 2008 com uma carteira da ordem de R$ 4,5 bilhões.
Regulamentação
Para o ano de 2009, as expectativas de mercado e as projeções iniciais da ANFAC, ainda que assentadas em bases conservadoras, indicam otimismo e apontam um crescimento moderado. Segundo a ANFAC, o setor tende a consolidar-se e as empresas de fomento mercantil devem se fortalecer com a iminente aprovação do PLC nº 13/2007, Projeto de Lei que preconiza a regulamentação da atividade, ora em tramitação final no Senado Federal. Uma constatação observada no dia-a-dia das empresas de fomento mercantil é que profissionais e empresários têm buscado saídas criativas e inovadoras, com o objetivo de viabilizar e compatibilizar novos modelos de estrutura organizacional, frente à nova realidade econômica e às exigências do mercado.
Estratégias de crescimento e expansão
A consolidação do setor, experimentada ao longo dos últimos anos, mostra estratégias empresariais que privilegiam a expansão e o crescimento da base de empresas e de sua clientela e das operações (crescimento vertical da estrutura organizacional), por meio da fusão de empresas. Outras estratégias empresariais de expansão e de crescimento das carteiras e das operações podem ser constatadas por intermédio de uma política de crescimento horizontal, através da abertura e instalação de filiais em novas praças, mantendo- se, porém, a estrutura administrativa e financeira centralizada na matriz. Uma terceira estratégia de aumento e expansão de negócios constatada se trata do crescimento horizontal que é implementado por meio de processo de expansão geográfica reunindo uma cadeia de empresas de fomento consorciadas, com estrutura administrativa e financeira descentralizada. Algumas empresas de fomento mercantil são pioneiras na implementação de tais modelos, vivenciando experiências positivas e bem-sucedidas, em cada uma das políticas acima citadas.
Funding ou Fundeamento
No Brasil, o “funding” das empresas de fomento mercantil é formado, em geral, por seus recursos próprios, de mútuos dos sócios pessoas físicas ou jurídicas e de linhas de crédito bancário. Por sua natureza comercial, não enquadrada nas disposições de Lei 4595/64 – Lei Bancária – a constituição e o registro da empresa de fomento independem de prévia autorização do Banco Central, por esse motivo é vedado às empresas de fomento realizarem captação de recursos junto ao público. A título ilustrativo, é de registrar que a ANFAC reúne hoje um grupo de empresas associadas que vem oferecendo um substancial e preponderante aporte de recursos (próprios) ao seu público-alvo, composto de médias e pequenas empresas, garantindo-lhes a liquidez necessária ao dia-a-dia de seus negócios. O “funding” das empresas de factoring associadas à ANFAC se origina de recursos e investimentos líquidos próprios que são alocados por meio da aquisição de direitos creditórios, originados de vendas mercantis realizadas pelas empresas-clientes, viabilizando transações na cadeia produtiva dos segmentos econômicos industriais, comerciais e de serviço.
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